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Origem da Literatura de Cordel PDF Imprimir E-mail

A Origem nas Feiras Medievais
Nossa viagem em busca das origens do cordel começa na Europa, na Idade Média, num tempo em que não existia televisão, cinema e teatro para divertir o povo. A imprensa ainda não tinha sido inventada e pouquíssima gente sabia ler e escrever. Os livros eram raríssimos e caros, pois tinham de ser copiados a mão, um a um. Então, como as pessoas faziam para conhecer novas histórias?

Pois bem, mesmo nos pequenos vilarejos existia um dia da semana que era especial: o dia da feira. Nessas ocasiões, um grande número de pessoas se dirigia à cidade, e ali os camponeses vendiam seus produtos, os comerciantes ofereciam suas mercadorias e artistas se apresentavam para a multidão.

Um tipo de artista muito querido por todos era o trovador ou menestrel. Os trovadores paravam num canto da praça e, acompanhados por um alaúde (um parente antigo dos violões e violas que conhecemos hoje), começavam a contar histórias de todo tipo: de aventuras, de romance, de paixões e lendas de reis valentes, como o Rei Carlos Magno e seus doze cavaleiros.

Para guardar tantas histórias na cabeça, os trovadores passaram a contar suas histórias em versos. Dessa forma as rimas iam ajudando o artista a se lembrar dos versos seguintes, até chegar o fim da história.


Ao final da apresentação, o povo jogava moedas dentro do estojo do alaúde. O trovador, satisfeito, agradecia e partia em direção a
outra cidade ou da próxima feira.

Material de autoria do  Violeiro Fábio Sombra. Publicado originalmente no folheto “Proseando Sobre Cordel”.

Extraído do Blog Cultura Nordestina - Visite o Blog: Click Aqui!

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A origem da literatura de cordel ou folhetos de feira, está diretamente vinculado às folhas volantes ou folhas soltas, surgidas em Portugal à partir do séc. XVII, cuja venda e divulgação era privilégio de cegos. Na Espanha, este mesmo tipo de literatura era chamado de "Pliegos Sueltos". Denominação que passou tambem à América Latina, ao lado de "hojas" e "corridos" (na Argentina, México, Nicarágua e Perú). Segundo a folclorista Argentina Olga Fernandez, estas "Hojas" ou "Pliegos Sueltos", divulgados através de "corridos", envolvem narrativas tradicionais e fatos circunstanciais, exatamente como a literatura de cordel brasileira. Na França era a "Litterature de colportage" ou literatura ambulante, mais dirigida ao meio rural na forma de "occasionnels" e nas cidades prevalecia os "canard". Na Inglaterra, folhetos semelhante ao nosso eram correntes e denominados "Cocks" ou "Catchpennies" (eram romances e historias imaginarias) e "Broadsides" (estes, folhas volantes sobre fatos historicos, equivalentes ao nossos folhetos de motivações circunstanciais).
Grifo do autor: Analisando, no dia-a-dia, nas feiras, mercados, rodoviarias e/ou os diversos locais onde a literatura de cordel tem seu espaço garantido, podemos concluir que a mesma usa de uma linguagem puramente popular; algo que consiga penetrar na mente do povo sem muita dificuldade. O seu linguajar, seu modo de narrativa, seu falar peculiar, enfim. O cordel atraves dos tempos foi um veiculo de comunicação destinado unicamente às massas.

O Cordel no Nordeste Brasileiro
A HERANÇA CULTURAL
Na época de sua colonização os Sertões nordestinos,- graças ao seu distanciamento dos grandes centros urbanos e ao total abandono dispensado pelos governos, onde o Coronel proprietário de enormes levas de terras ditava as leis e o modo de vida daquela sociedade, - foram o cenário ideal no qual talhou e fez surgir o homem valente e determinado e, porque não dizer, predestinado a uma história de lutas e inssurreições. Nele, a figura do valentão é peça primordial e atributo necessário à sua sobrevivência. É comum vermos também, como coadjuvante deste tipo nordestino, o fanático religioso que, relegado a tanta fome, sede e abandono resvalou para a aceitação do seu destino com ser predestinado ao sofrimento. Tudo isso graças aos ensinamentos dos primeiros representantes das igrejas que vieram inculcar na mente do nativo sertanejo a força da vingança da justiça divina.
Apesar da herança forte que o homem sertanejo herdou dos seus antepassados, sejam eles índios, negros ou os brancos de além-mar, foi-lhes também deixados a herança cultural da narrativa poética. Nesse espaço, o homem nordestino absorve do colonizador europeu a poesia e a prosa transformado em discurso em meio às multidões onde alí se estaria narrando, a modo de reportagem, algum feito heróico, alguma novidade espetacular, enfim, alguma informação de interesse público. Embora se saiba que, com frequência, estes discursos poéticos eram quase sempre relatando algum feito heróico ou algo espetacular.
No Sertão esta atividade era exercida, na maioria das vezes, pelos cegos cantadores de feira que sempre traziam, não se sabe de onde, as novidades e os feitos de bandos de cangaceiros que empestavam aquela região.
A CHEGADA DO CORDEL NO NORDESTE
O ano de 1830 é considerado historicamente, o ponto de partida da poesia popular nordestina. Tendo como seus primeiros divulgadores os poetas Ugolino de Sabugi e seu irmão Nicandro, filhos do não menos famoso Agostinho Nunes da Costa Teixeira. Estes, os primeiros cantadores da poesia de pé de parede e dos contos que se faziam acompanhar com o repique da viola, da rabeca, do pandeiro ou até mesmo do ganzá.
Contudo, o movimento editorial do cordel teve início em meados de 1893/1900 e seus maiores divulgadores foram: Leandro Gomes de Barros, de Pombal; Silvino Pirauá, de Patos; Francisco das Chagas Batista, de Teixeira; e João Martins de Ataide, Ingaense.
Nessa época, a literatura de cordel,- que é bom que se acrescente, Poesia, narrativa, popular, impressa – se transformou na coqueluche do nordeste, alcançando quase todos os estados nordestinos em particular e os de todo o país, de certa forma.

Os Precusores do Cordel
Como fora dito anteriormente, os precursores do Cordel na sua forma de movimento editorial - já que ele compreende a poesia impressa em forma de folheto - foram Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá e João Martins de Ataide (isso só para citar os principais).
Os Ciclos do Cordel
Eis abaixo algumas temáticas peculiares à literatura de cordel:
Romances: histórias de amor não-correspondido, virtudes ou sacrifícios. Alguns títulos: Os Sofrimentos de Eliza ou os Prantos de uma Esposa e O Mal em Paga de Bem.
Ciclo mágico e maravilhoso: histórias da carochinha, que falam de príncipes, fadas, dragões e reinos encantados. Os mais famosos são O Pavão Misterioso e A Princesa Que Não Torna.
Ciclos do cangaço e religioso: apresentam o imaginário nordestino ligado a figuras como Lampião, Antônio Silvino, Padre Cícero, Antônio Conselheiro e frei Damião.
Noticiosos: funcionam como jornais. Mesmo já sabendo o que aconteceu, a população compra o folheto para ler a visão do poeta. As Enchentes no Brasil no Ano Setenta e Quatro e A Criação de Brasília marcaram época.
Histórias de valentia: apresentam personagens lendários na região, como O Sertanejo Antônio Cobra Choca e O Valente Sebastião.
Anti-heróis: falam de nordestinos que vencem mais pela esperteza do que pela força. João Grilo e Pedro Malazartes foram imortalizados pelo cordel.
Humorísticos e picarescos: os mais populares. Contam fatos como A Dor de Barriga de um Noivo e A Mulher Que Trocou o Marido por uma TV em Cores.
Exemplos morais: deixam uma lição. A Moça Que Bateu na Mãe e Virou Cachorra e A Mãe Que Xingou a Filha no Ventre e Ela Nasceu com Rabo e Chifre em São Paulo são títulos de destaque.
Pelejas: relatos de cantorias entre repentistas. Os textos são frutos da imaginação do cordelista, como A Peleja de João de Athayde com Raimundo Pelado.
Folhetos de discussão: apresentam dois pontos de vista sobre uma mesma questão. A Discussão de São Jorge com os Americanos na Lua ou A Discussão de um Fiscal de Feira com uma Fateira são exemplos.
Outros gêneros: há ainda folhetos de conselhos, profecias, cachorradas, descaração, política, educação e aqueles feitos sob encomenda.

Extraído do Blog Educar com Cordel do Poeta e Professor Paulo Moura - Visite o Blog: Click Aqui!

 

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